O ano de 1722 marca com a descoberta das minas de ouro em Goiás e o início da povoação de nosso território e também o de nossa história artística cultural.

À euforia da descoberta logo se acompanhou da escassez das minas, deixando em dificuldades econômicas uma população isolada pela distância e dificuldade de acesso, impediu que aqui se produzisse uma arte grandiosa e típica do período barroco, como nas demais regiões brasileiras; principalmente a vizinha Minas Gerais.

Época em que toda a produção artística era direcionada pela igreja. Goiás supriu sua carência artística importando imagens da metrópole ou do Nordeste (Bahia, Pernambuco e Minas Gerais), deixando para artistas e artífices locais, apenas a execução de grandes peças como pintura, doração a confecção de altares e retábulos.

Entre os poucos artistas que atuaram em Goiás, merecem registro: Reginaldo Fragoso de Albuquerque, pintor e escultor que executou igrejas de Meia Ponte, hoje Pirenópolis, diversas imagens e retábulos por volta de 1766. Na segunda metade do século XVIII, durante dezessete anos, o alferes Bento José de Sousa permaneceu trabalhando na confecção de nove retábulos para sete igrejas de Vila Boa, hoje cidade de Goiás, conforme pesquisa do historiador Elder Camargo de Passos. André Antônio da Conceição era pintor e, na segunda metade do século XIX, executou o forro e o coro da Igreja de São Francisco de Paula, em Vila Boa. Cincinato da Mota Pedreira foi o autor das esculturas em pedra-sabão da mesa e dos bustos de filósofos gregos que ornavam as colunas do Palácio Conde dos Arcos e que hoje se encontram em exposição no Museu das Bandeiras na cidade de Goiás. Inácio César Xavier de Barros, pintor do século XIX, é tido como o autor de uma bandeira que se encontra no Museu da Boa Morte na cidade de Goiás. Ignácio Pereira Leal, em Pirenópolis, e João da Conceição de Jesus, em Goiás, eram conhecidos pintores do século XIX, mas suas obras não são atualmente identificadas. Como vemos, num período superior a duzentos anos, são poucas as referências de nomes importantes nas artes ou é pobre o nosso registro histórico.

Dentro desse ambiente de decadência econômica, isolamento e outras adversidades, surge de forma isolada e merecedora de especial referência: José Joaquim da Veiga Valle.

Exímio escultor sacro erudito, embora autodidata, nascido em 9 de setembro de 1806, no arraial de Meia Ponte, onde exerceu diversos cargos públicos, transferindo sua residência para a cidade de Goiás em 1841. Durante sua vida produziu grande quantidade de escultura em madeira, dourada e policromada. Usava preferencialmente o cedro, e sua obra demonstrava grande conhecimento de anatomia, perícia técnica nos planejamentos e pormenores

Trabalhava com mestria todas a etapas de confecção da obra, que após esculpida era aparelhada (cobertura de gesso e cola, visando cobrir imperfeições que isolava madeira das tintas.) dourada e policromada.

Esta última demonstra sua grande capacidade colorista e bom gosto apurado. Sua carnação em tons rosa-pálido e seus esgravitos (a tinta aplicada sobre o ouro é retirada com ajuda de um palito ou estilete revelando o ouro em forma de belos desenhos) de grande beleza e variação, demonstra sua imensa capacidade criativa e serve-lhe de certeira assinatura.

Ao morrer em 1874 deixa-nos um precioso legado artístico. O filho Henrique, também é escultor de considerável talento.

Nos anos que se seguem, sob influência da missão francesa que chega no Brasil em 1916, imagens passam a ser produzidas em série inspiradas na sobriedade do estilo neo clássico. Mudanças ocorrem também na relação entre a igreja e artistas, a igreja prefere imagens doces e angelicais mais condizentes com o neo classicismo e também barateadas pela produção em série. Por outro lado os artistas podiam dedicar-se livremente ao seus termos sem dependerem das encomendas eclesiásticas.

Goiás espera um século após a morte de Veiga Valle para ver surgir um nome de relevância na arte sacra.

Sebastiana de Aquino Rodrigues Thomé, Tiana: Surge em 1974 esculpindo em madeiras velhas, de preferência o tamboril por ser mais macia. Gostava de esculpir anjos.

Sua 1ª peça foi feita às margens do rio Paranaíba, em Itumbiara. Estava ela pescando e contando para sua filha Ivana que lá residia a história de Nª Sra da Aparecida; quando "pescou" uma raiz, que achou parecida com o formato de uma santa; largou a vara pegou o canivete e ali esculpiu "sua primeira Imagem Sacra".

Chegando em Goiânia, juntamente com sua amiga Leides Cézar começa a recolher em lotes baldios e demolições pedaços de madeiras. Muitas madeiras vieram também da fazenda que outrora pertencerá à seus pais.

Tiana, nasceu em 9 de abril de 1927 em Santa Rita do Pontal interior de Goiás, hoje Pontalina.

Filha de fazendeiros era a 2ª filha entre 3 irmãos.

A família muda para Morrinhos GO, quando Tiana estava com 3 anos de idade.

Na infância seu brinquedo predileto era amassar "barro" e dar alguma forma de animais.

O primário foi cursado em Morrinhos, GO. O curso ginasial em Araguari, MG no colégio interno, Sagrado Coração de Jesus, onde inicia suas aulas de pintura e balé. O curso científico foi concluído em Belo Horizonte MG. Estudando nos Colégios Sacre de Marie e Instituto Izabello Hendrix.

Formou-se farmacêutica pela UFGO em 1950 deixando adormecido o curso de Belas Artes que tanto queria fazer em Belo Horizonte.

A dificuldade de encontrar a madeira para esculpir as esculturas leva sua amiga Leides Cézar, a "sugerir a argila". Inicia assim sua obra no ano de 1980, quando retoma o ensinamento do curso feito em 1964 com a professora Sofia Stamirowska polonesa residente em Goiânia e professora na faculdade de Artes. Curso teve a duração de alguns meses.

Autodidata, santeira por vocação seus cursos em escolas especializadas esta incansável pesquisadora e admiradora do Barroco em pleno Século XX dá ao barro toda poesia, dança.

Faleceu em 18 de agosto de 1990 em Goiânia, após longa enfermidade.
 
Clemente Maciel
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Tiana Thomé (In Memorian)
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